Bolsas mundiais têm queda após recuo em Wall Street

As bolsas mundiais vivem um dia tenso nesta quinta-feira, com as asiáticas registrando perdas de mais de 3% e as europeias recuando quase 2%, refletindo a  queda de Wall Street na véspera. 

         Investidores estão vendendo suas posições em meio a uma combinação de fatores, incluindo o aumento da taxa de juros nos Estados Unidos, criticada pelo presidente americano Donald Trump, a disputa comercial entre a China e os Estados Unidos, assim como os alertas do Fundo Monetário Internacional (FMI) sobre a estabilidade financeira global e os riscos ao crescimento econômico.

         Em Tóquio,  o índice Nikkei recuou 3,89%, fechando a 22.590 pontos, enquanto o  índice de Xangai, o SSEC, chegou a recuar mais de 6%, antes de recuperar algumas perdas e encerrar as negociações com queda de 5,22%, a 2.583,46 pontos, níveis não atingidos desde 25 de novembro de 2014.

         Este foi o pior dia para o índice desde 25 de fevereiro de 2016. O índice CSI300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzhen, por sua vez, recuou 4,8%, fechando a 3.124,11 pontos, nível mais baixo desde julho de 2016.

         Steven Leung, diretor de vendas da corretora UOB Kay Hian, disse que o impacto da venda de ações nos EUA e as preocupações com a guerra comercial estavam pesando sobre as ações e perdurariam em toda a Ásia.

         “Nós não temos visto uma queda tão grande nas ações dos EUA há algum tempo. Os mercados não têm certeza de quanto tempo isso vai durar”, disse ele. “O mercado também está preocupado que as relações entre os EUA e a China piorem ainda mais”.

         Em Hong Kong, o índice HANG SENG caiu 3,54%, somando 25.266 pontos, enquanto que o Kospi, da bolsa de Seul, teve desvalorização de 4,44%, fechando a 2.129 pontos. Em Taiwan, o índice TAIEX registrou baixa de 6,31%, a 98.806 pontos.

         As perdas se arrastaram ao mercado europeu, com as ações retrocedendo a um mínimo de mais de 18 meses: a Bolsa de Paris abriu com queda de 1,50%; Frankfurt, com perda de 1,31% e a de Madri recuando 1,87% já na abertura do pregão.

         “Os mercados estão ameaçados”, estima Stephen Innes, responsável pelas transações Ásia-Pacífico em OANDA, uma empresa de serviços financeiros.

         “Há vários motivos: a queda em Wall Street, a alta das taxas de juros de longo prazo, novas preocupações com as relações comerciais entre China e Estados Unidos e uma atitude prudente antes dos anúncios sobre os resultados das empresas” -- explicou à agência Bloomberg Juichi Wako, da Nomura Securities.

         Nessa quarta-feira, Trump afirmou que o Federal Reserve, o banco central americano, havia "enlouquecido", em um novo ataque contra a autoridade americana e sua política de alta progressiva das taxas de juros, voltando a quebrar o costume dos presidentes de respeitar a independência do Federal Reserve.

         As taxas de juros dos EUA, que dependem, entre outras coisas, de empréstimos ao consumidor e empréstimos hipotecários, estão agora entre 2% e 2,25%.

         O presidente americano fez essas declarações após uma jornada turbulenta em Wall Street, com o índice Dow Jones da Bolsa de Nova York caindo a seu nível mais baixo desde fevereiro, fechando com queda de  3,15%, a 25.598,74 pontos, apenas oito dias após ter alcançado um recorde histórico. Já o Nasdaq, que reúne as ações de empresas de tecnologia, perdeu 4,08%, seu maior retrocesso em mais de dois anos.

         A diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde, justificou nesta quinta-feira a alta da taxa de juros, qualificando-a de necessária e inevitável para economias como Estados Unidos, com  crescimento forte, aumento da inflação e desemprego extremamente baixo.

         Para evitar o superaquecimento da economia e o ressurgimento da inflação, o banco central americano subiu três vezes neste ano suas taxas de juros em um quarto de ponto percentual, e pretende fazê-lo de novo em dezembro.

Empresas de tecnologia. Com o aumento das taxas de juros nos EUA, os investidores estão orientados para o mercado de ações que se tornem mais lucrativas. A queda de quarta-feira em Wall Street é explicada, acima de tudo, pelo fraco desempenho das ações de tecnologia, que geralmente são o principal fator de crescimento da Bolsa de Valores de Nova York, mas vêm registrando problemas há uma semana.

         As dificuldades das empresas de tecnologia se devem ao fato de que "os gestores de carteira deixam esse setor de crescimento para empresas que oferecem maior segurança", explicou Tom Cahill, da Ventura Wealth Management. (de O Globo)

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