Bancos aprovam a venda da dívida da Editora Abril

Bradesco, Itaú e Santander aprovaram a venda da dívida da Editora Abril à Enforce, segundo uma fonte que acompanhou as negociações. O endividamento da editora com os bancos é de R$ 1,1 bilhão.

A Enforce, empresa de recuperação de créditos do BTG Pactual, vai comprar a dívida com desconto de 92% para pagamento à vista, segundo esse interlocutor.

O BTG também apoia financeiramente ao advogado Fábio Carvalho, que anunciou a compra das ações da Abril -- que pertenciam à família Civita -- no fim de dezembro. O negócio já foi aprovado pelo Cade.

Além da Enforce, os bancos negociavam com a Guilder e com a Jive, empresa de recuperação de créditos. As dívidas bancárias eram garantidas pelo prédio da Abril na Marginal do Tietê, em São Paulo, e pelas principais marcas de revistas da editora.

Conforme noticiou o Valor Econômico em dezembro, apesar da venda das ações, o sucesso da operação fechada por Carvalho dependia dos bancos - que poderiam aprovar ou rejeitar qualquer plano apresentado pela Abril em assembleia de credores. A editora está em recuperação judicial e a assembleia deve ocorrer em março.

Nas negociações que conduziram ao longo dos últimos dois meses, Bradesco, Itaú e Santander conseguiram melhorar os termos da venda do crédito.

As instituições financeiras aceitaram proposta da Enforce que prevê desconto de 92% no valor de face da dívida, e mais à frente vão receber parte do que a editora levantar com a venda do prédio na Marginal do Tietê. No conjunto, os bancos devem recuperar cerca de 20% do valor da dívida.

Originalmente, a oferta da Enforce previa desconto de 95% e uma fatia menor referente à venda do prédio.

Segundo fonte que acompanhou as negociações, os bancos vão ficar com a maior parcela da venda do prédio da Abril, que deverá ocorrer num prazo de dois anos. 

As dívidas da Abril já estavam totalmente baixadas para prejuízo no balanço dos bancos. Por isso mesmo, eles não tinham pressa para se desfazer dessa operação. Preferiram negociar mais tempo e conseguiram melhorar o valor da recuperação com essa estratégia. 

Apesar das idas e vindas, as instituições financeiras sempre estiveram dispostas a fechar algum acordo, pois não gostariam de ser apontadas como responsáveis por uma eventual falência da Abril, uma das maiores editoras do país. (do Valor Econômico)

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