Bancos já não atraem tanto os melhores alunos de MBA

Mais MBAs graduados estão escolhendo empregos nas áreas de tecnologia e consultoria, mesmo com os bancos aumentando os salários iniciais, segundo mostra uma análise do "The Wall Street Journal".

            No ano passado, os serviços financeiros ficaram abaixo da consultoria como principal destino dos diplomados pelos dez maiores programas de MBA dos EUA, conforme o ranking da "U.S News & World Report". As empresas de tecnologia estão rapidamente alcançando os bancos em termos de popularidade.

            A parcela dos formados em MBA de período integral pelas dez melhores escolas de negócios que aceitaram empregos em empresas de serviços financeiros caiu de 35,7% em 2012 para 26,4% em 2017, com base na média ponderada calculada pelo "The Wall Street Journal".

            A parcela dos que aceitaram empregos em empresas de tecnologia subiu de 12,9% para 20,1% no mesmo período. A área de consultoria superou por pouco a de serviços financeiros como principal atrativo em 2017, sendo a escolha de 28,9% dos diplomados, em comparação com 26,5% em 2012.

            "Os bancos enfrentam um problema sério de imagem", afirma Atta Tarki, fundador da Ex-Consultants Agency, uma empresa de recrutamento de Los Angeles. "Eles são cada vez mais vistos como máquinas implacáveis de fazer dinheiro".

            Alguns bancos estão tentando melhorar seu apelo aos jovens. Eles estão conduzindo entrevistas nos campi e pagando viagens para os estudantes conhecerem quatro ou cinco bancos de Wall Street em um dia.

            "A concorrência está acirrada. Eles têm mais escolhas agora", diz Della Sabessar, diretora global de aquisição de talentos experientes do Credit Suisse Group. "Quando você chega ao estágio das entrevistas, começa a ver quantas opções eles têm na mesa." O Credit Suisse realiza eventos ao vivo pelo Facebook com estudantes, em que os banqueiros discutem o processo de inscrição para criar relações com possíveis candidatos.

            Os bancos também aumentaram os salários iniciais bem mais do que as empresas de setores concorrentes nos últimos cinco anos, segundo a análise. O "WSJ" examinou seis anos de dados de MBAs de período integral informados pelas dez melhores escolas de negócios em 2017. Foi analisada a mediana dos salários iniciais -- excluindo os bônus de adesão e outras compensações garantidas --, aceitos até três meses após a formatura.

            Para os graduados pela MIT Sloan School of Management, os salários iniciais médios anuais pagos pelas empresas de serviços financeiros aumentaram 25% entre 2012 e 2017, para US$ 125.000. No mesmo período, os salários médios nas áreas de tecnologia e consultoria subiram apenas 9%, para US$ 125.000, nas companhias de tecnologia, e US$ 147.000 nas consultorias.

            Mesmo assim, a parcela de diplomados pela Sloan que aceitaram empregos em empresas de serviços financeiros caiu quase pela metade, para 14% nesse período, enquanto que a parcela de tecnologia dobrou para 32%. Em cinco das melhores escolas, a parcela dos MBAs recém-formados que aceitaram empregos na área financeira caiu mais de 5 pontos percentuais.

            "Nos últimos dez anos houve uma inversão quase completa entre finanças e a tecnologia", diz Jean Ann Schulte, diretora de relações com os empregadores e serviços de recrutamento da MIT Sloan. Ela observa que um fato mencionado pelos estudantes é a semana de trabalho de 90 a 100 horas, muito comum no setor bancário.

            "Você pode ter uma carreira lucrativa sem perder qualidade de vida", afirma Schulte. Alguns bancos vêm tentando resolver essas preocupações, limitando a carga horária dos funcionários dos escalões mais baixos.

            Na Booth School of Business da Universidade de Chicago, a parcela dos diplomados que está indo para o setor bancário caiu de 43% para menos de 30% nos cinco anos analisados. No mesmo período, a proporção dos que aceitaram empregos na área de tecnologia dobrou para 19%.

            Os alunos de algumas escolas ainda preferem ir para um determinado setor. A Columbia Business School continua alimentando o setor financeiro. MIT Sloan, Kellogg School of Management da Northwestern University e Tuck School of Business de Dartmouth vêm registrando grandes aumentos na proporção dos diplomados que vão para empresas de tecnologia. Na Booth, os salários-base oferecidos pelas empresas financeiras se equipararam aos de tecnologia. Na Universidade de Yale eles superaram.

            O setor bancário ainda atrai muitos estudantes. Consultorias ficaram em primeiro lugar como área na preferência dos alunos de MBA, segundo pesquisa feita em 2017 com mais de mil estudantes pela Universum, consultoria especializada em marca empregadora. Os serviços financeiros, incluindo os fundos de hedge e bancos de investimentos, ficaram em segundo lugar. Em terceiro ficou a área de software, serviços de computação e desenvolvimento multimídia.

            Alex Hardy diz que um número pequeno de seus colegas optaram pela área de tecnologia quando ele se formou pela Owen Graduate School of Management da Universidade Vanderbilt em 2013. "Ir para o Facebook ou o Google não era um caminho muito procurado", afirma.

            Hardy entrou para a divisão imobiliária do Credit Suisse. O trabalho era intelectualmente estimulante, mas ele saiu em 2015 por acreditar que "estaria mais realizado construindo algo de verdade". Ele também diz que ficou cansado por causa da carga horária pesada.

            Em comparação, seus colegas que trabalhavam em empresas de tecnologia pareciam, segundo ele, "bem mais satisfeitos". Hoje, ele trabalha como diretor operacional da Liveoak Technologies, uma plataforma de software de Austin, Texas. "Da turma de MBAs com quem comecei na área bancária, provavelmente 70% deixaram o banco." (do Valor Econômico)

Comentários
Sem comentários ainda. Seja o primeiro.