BC aprova compra que torna Itaú sócio minoritário da XP

O Itaú Unibanco obteve ontem a autorização do Banco Central para concluir a compra de 49,9% do capital social total da XP Investimentos, sendo 30,1% de ações ordinárias.

         A operação, anunciada em 11 de maio de 2017, já havia sido avaliada e autorizada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) em março deste ano.

         Pelo acordo aprovado pelo Banco Central, o Itaú Unibanco realizará um aporte de capital no valor de R$ 600 milhões na XP e desembolsará R$ 5,7 bilhões para aquisição de ações detidas pelos acionistas vendedores (XP Controle Participações S.A, G.A. Brasil IV Fundo de Investimento em Participações e Dyna III Fundo de Investimento em Participações). Tais valores serão ajustados, conforme previsto em contrato.

         O acordo prevê a possibilidade de uma aquisição adicional em 2022, sujeita à aprovação do Banco Central, que permitiria ao Itaú Unibanco deter até 62,4% do capital social total da XP Holding, equivalente a 40% das ações ordinárias.

         O Itaú Unibanco também assumiu compromisso perante o Banco Central de não adquirir o controle acionário da XP Holding durante oito anos. A consumação da operação ocorrerá em 31 de agosto de 2018.

         “Estamos felizes com o desfecho desta operação. Este é um modelo de negócios diverso daquele que pode ser perseguido pelo banco diretamente, que acreditamos ter grande potencial de crescimento, e se enquadra na nossa estratégia de reforçar as receitas não diretamente vinculadas a risco de crédito ou de mercado”, afirma Candido Bracher, presidente-executivo e CEO do Itaú Unibanco, em nota.

         “Ao mesmo tempo, a XP continuará a ter uma gestão independente, contribuindo para a evolução natural na forma de consumir serviços financeiros no Brasil, conforme anunciado em maio de 2017”, diz Bracher.

         Como divulgado anteriormente, o Itaú Unibanco permanece com o direito de indicar dois de sete membros do Conselho de Administração da XP Holding.

         Os acionistas do Grupo XP continuarão à frente da gestão da companhia de forma independente e autônoma. De acordo com nota distribuída pela empresa, não haverá qualquer integração operacional ou comercial com o Itaú, o que manterá a livre competição entre os dois.

         A XP ressaltou ainda que a divulgação e o cumprimento das regras e políticas da plataforma aberta serão mantidos, assim como a política de taxa zero. Os acordos comerciais com atuais parceiros também serão preservados.

         “A operação aumenta ainda mais nosso potencial de crescimento, solidez e credibilidade, mantendo nossa total autonomia e independência no controle e gestão da companhia”, afirma Guilherme Benchimol, CEO do Grupo XP, em nota. “Dedicaremos todos os nossos esforços para continuar construindo a melhor experiência de investimentos do país.”

Restrições. A aprovação da compra pelo BC se deu por meio de um Acordo de Controle de Concentração (ACC). Pelo contrato inicial, o Itaú poderia adquirir o controle e atingir uma participação de 74,9% até 2022, o que foi revisto. Também foi decidido que as opções de compra e venda de controle que estavam previstas deixaram de existir.

         No Cade, foi aprovada apenas a primeira etapa da aquisição. As demais deveriam ser novamente submetidas à autoridade antitruste. A existência dessas opções de compra e venda de controle foi objeto de discussão no Cade.

         Ao argumentar pela reprovação do negócio, a conselheira Cristiane Alkmin considerou que, na prática, a XP já estava sendo vendida e que dificilmente a operação seria barrada quando uma opção de compra ou venda de controle fosse exercida futuramente.

         As restrições impostas pelo BC marcam uma mudança de postura da autoridade monetária, que nunca havia imposto condições de ordem societária para aprovar uma aquisição de instituição financeira.

         Como pano de fundo da mudança, estão a elevada concentração bancária brasileira e o surgimento de instituições como a XP e algumas fintechs que têm ocupado segmentos de negócios financeiros antes dominados pelos grandes bancos. (do Valor Econômico)

Comentários
Sem comentários ainda. Seja o primeiro.