BTG Pactual inaugura sua aceleradora de startups

O BTG Pactual decidiu colocar de vez o pé no empreendedorismo tecnológico. O banco inaugurou sua aceleradora de startups, chamada BoostLab, com a seleção de seis empresas na primeira fase.

         Além disso, prepara para o segundo semestre o lançamento de seu primeiro fundo de investimento voltado a novas empresas com foco em inovação, o chamado "venture capital".

         "O objetivo de ambas as iniciativas é acompanhar de perto a revolução que startups têm feito em negócios tradicionais da economia", disse ao Valor Econômico Renato Mazzola, sócio do BTG, responsável por private equity e pela iniciativa.

         O BoostLab é resultado de uma decisão do banco de apoiar -- sem ser necessariamente com investimento -- as iniciativas ligadas à tecnologia. O movimento está em linha com o posicionamento de outras grandes instituições como Itaú, Bradesco e Porto Seguro. As três, cada uma de sua forma, também possuem projetos de suporte a startups, como Cubo, InovaBra e Oxigênio, respectivamente.

         Nessa etapa de inauguração, 124 companhias se inscreveram para a aceleradora do BTG. "Todos os setores da economia e todas as companhias sofrerão uma ruptura de modelo pela tecnologia. Não é o futuro. É o presente. Precisamos ter isso no radar", enfatizou Mazzola.

         O BoostLab tem sede fora do BTG. "Essencial para ter vida própria e ficar clara a separação do banco", afirmou Frederico Pompeu, que conduz o trabalho cotidiano do projeto.

         Inicialmente da equipe de Mazzola, Pompeu agora fica no escritório do BoostLab, totalmente dedicado à aceleradora. Pela estrutura montada, grupos de seis empresas participam de um programa de seis meses -- logo, dois grupos por ano --, que inclui "mentoria" de um sócio do banco.

         Como a ideia é tornar o negócio mais potente, as escolhidas são empresas que já tenham receitas e clientes. "Não são projetos iniciais, no papel", explicou Pompeu. Esse perfil é conhecido como scale-up, startups um pouco mais maduras. O primeiro grupo é formado por companhias com receita anual entre R$ 900 mil e R$ 30 milhões.

         "Cada participante tem sua necessidade e elas são bastante variadas. Alguns precisam de suporte para desenvolver os produtos, outros de contatos para acessar potenciais clientes e outras ainda de experiência em questões societárias", exemplificou Mazzola.

         Além de Mazzola e Pompeu, o BoostLab é acompanhado de perto por um comitê de sócios e diretores: Gustavo Roxo, sócio responsável pela tecnologia do banco; Marcelo Flora, do BTG Pactual Digital; Mateus Carneiro, de recursos humanos; Pedro Henrique Fragoso, de ativos ilíquidos; e André Alves, de comunicação e marketing.

         Nessa rodada, dentre as seis companhias selecionadas para o primeiro grupo do BoostLab, três possuem atividade ligada direta ou indiretamente ao universo financeiro: Liber, F (x) e Neurotech. Embora com ferramentas e focos diferenciados, essas três empresas têm em comum a capacidade de impacto no mercado de crédito. De forma simplificada, as plataformas conferem agilidade e maior segurança no acesso a recursos, tanto para o fornecedor de dinheiro como para o tomador, e maior pulverização.

         Dan Cohen, fundador da F (x), contou que espera que neste ano passem por sua plataforma R$ 1,5 bilhão de propostas de financiamento. No ano passado, foram quase R$ 600 milhões. As transações têm tíquetes de R$ 1,5 milhão a R$ 20 milhões.

         A plataforma da empresa, criada há cerca de dois anos, promove o encontro entre financiadores diversos (bancos médios, fundos de direitos creditórios, fintechs, entre outros) e empresas que buscam recursos.

         No caso da Liber Capital, que começou a atuar em 2017, o foco é o mercado de antecipação de recebíveis. A companhia faz parcerias com empresas para acessar seus dados sobre fornecedores. O objetivo é acelerar o prazo em que esse fornecedor -- em geral empresas de pequeno e médio porte -- consegue ter acesso aos recursos, antecipando com empresas de crédito o recebimento de suas faturas.

         A maior empresa dessa rodada do BoostLab é a Neurotech, que tem 18 anos desde sua criação, e mais de 150 funcionários. A companhia desenvolve soluções para gestão de risco de crédito, com base no cruzamento de dados públicos. Os produtos podem ser usados principalmente pelos setores financeiro, de varejo e seguros.

         As outras têm atuação variada, sendo uma de assinatura eletrônica (Clicksign), outra ligada ao agronegócio (Agronow) e também uma de meio de pagamento para grandes eventos de consumo, com restaurantes e bares (Zigpay).

         Algumas companhias do BoostLab poderão ser eleitas para receber aporte do fundo de venture capital que o BTG planeja lançar no segundo semestre. Mas não há nenhuma obrigatoriedade do banco de aportes e nem das empresas.

         Além disso, explicou Mazzola, o universo potencial do fundo será mais amplo, embora totalmente dedicado a empresas com potencial inovador e disruptivo.

         O tamanho da carteira ainda não está fechado. "Como é de praxe nesse nicho, são fundos menores em volume." A captação está programada para começar no segundo semestre.

         Ele explicou também que, no segmento de venture capital, o investimento é normalmente minoritário e não tem por objetivo interferir na gestão. A função do sócio é trazer o recurso e auxiliar de forma complementar no negócio. (do Valor Econômico)

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