Com sobretaxas em vigor, soja tem forte alta na bolsa

No dia em que os Estados Unidos colocaram em vigor sobretaxa de 25% sobre um montante de US$ 34 bilhões em produtos industrializados chineses e Pequim, em retaliação, sobretaxou também em 25% produtos americanos como a soja, o mercado futuro da oleaginosa registrou forte alta na bolsa de Chicago.

            Depois de terem atingido o menor patamar em 10 anos na última semana - diante da expectativa de queda das vendas americanas à China -, os contratos de soja com vencimento em agosto subiram 38,25 centavos de dólar (ou 4,56%) na última sexta-feira, fechando a US$ 8,775 o bushel.

            "[Donald] Trump não tinha alternativa depois de tantas ameaças a não ser pôr em vigor seu plano comercial", observou Pedro Dejneka, sócio consultor da MD Commodities. Segundo ele, com a sobretaxa efetivamente em vigor, os investidores ficam livres para realmente negociar contratos com base em fundamentos.

            O último pregão da soja em Chicago, afirmou Dejneka, refletiu o tradicional comportamento dos traders de "comprar papéis no boato e vender no fato".

            De acordo com estimativa da Universidade de Perdue, a sobretaxa de 25% imposta à soja americana pode reduzir em 65% as importações do grão proveniente dos EUA pela China.

            A expectativa no mercado é a de que o Brasil possa atender parte dessa demanda adicional chinesa. Mas o Centro de Informações Nacionais de Óleos e Grãos da China, citado em relatório da consultoria Zaner, estima que os processadores chineses ainda podem precisar importar pelo menos 10 milhões de toneladas de soja dos EUA no último trimestre do ano, quando a oferta diminui na América do Sul.

            Pedro Dejneka vê dois cenários possíveis que mudariam o rumo dos preços da soja na bolsa americana: os dois países entram em um acordo, pelo qual a China passaria a comprar mais produtos americanos, ou a China busca alternativas à soja americana, o que já vem fazendo paulatinamente.

            Mas, com base nos fundamentos atuais, uma valorização expressiva da soja em Chicago parece improvável. Isso porque os EUA registram um início de safra, a 2018/19, considerado excepcional, com 73% da área plantada em boas ou excelentes condições, segundo os últimos dados do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA)(do Valor Econômico)

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