Crise também afeta economia da Turquia; moeda local desaba

Não é só na Argentina que as turbulências nos mercados internacionais e a maior aversão a risco de investidores está derrubando a moeda local. A lira turca já caiu 14% frente ao dólar neste ano — a maior queda entre moedas de países emergentes.

         Nesta terça-feira, a cotação recuou mais 1%, ficou em 4,432 liras por dólar, a menor já registrada pela divisa, após o presidente Recep Tayyip Erdogan afirmar que pretende “assumir mais responsabilidade pela política monetária do país”, caso ele ganhe as eleições presidenciais no próximo mês, no que foi interpretado como um sinal de que a Turquia deve elevar sua taxa de juros.

         Mas por que a economia turca está no turbilhão dos emergentes neste momento? O país passou nos últimos anos por uma série de transformações políticas. Houve uma tentativa de golpe militar em 2016, um polêmico referendo que concentrou mais poderes nas mãos de Erdogan no ano passado e, ainda, uma escalada da violência na sua fronteira com a Síria. Mas nada disso explica a fraqueza da moeda turca.

         Segundo analistas, uma extrema dependência de capital externo é a grande vulnerabilidade da economia turca. O déficit nas contas externas do país supera os 5% do PIB, um dos mais altos entre as 20 maiores economias do planeta, grupo conhecido como G-20.

         A Turquia é uma grande importadora de petróleo, e a alta na cotação da commodity — que este mês superou US$ 70 e está no maior patamar dos últimos três anos — agrava a situação.

         Além do déficit externo, há o temor de que as eleições em junho levem a um aumento dos gastos públicos, piorando as contas públicas. Analistas avaliam ainda que o governo vem mantendo a taxa de juros baixa demais e que seria preciso aumentá-la para atrair investidores e para manter a inflação sob controle.

         O governo, até então, vinha se mostrando reticente a subir juros. Mas as declarações de Erdogan fizeram analistas preverem uma alta nas taxas. Os juros dos títulos públicos turcos de dez anos subiram para 14,61% ao ano na manhã desta terça-feira, um recorde. Isto não conteve, porém, a perda de valor da lira. A avaliação é que pode haver uma política mais intervencionista do governo na economia.

         “O problema é a interferência de Erdogan e a falta de confiança de que o banco central terá qualquer independência para tomar suas decisões”. afirmou John Hardy, que comanda a estratégia de investimentos em moedas estrangeiras do Saxo Bank, em Londres. “Os mercados vão punir a lira” — avaliou. (de O Globo)

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