De 5G a chip eletrônico, evento exibe tendências para celulares

O Mobile World Congress, maior congresso de telefonia móvel do mundo, começa hoje em Barcelona, mirando as novas gerações de celulares. 5G, telas dobráveis, inteligência artificial, biometria, comandos de voz e o fim do chip físico (e-sim)  prometem ganhar espaço entre os lançamentos dos principais fabricantes de smartphones, processadores e de infraestrutura. As tendências fazem parte da análise feita pela consultoria ABI Research.

A quinta geração de telefonia celular, que já é realidade em países como Estados Unidos e Coreia do Sul, estará no centro das atenções da maior parte das 2.400 empresas do setor de telecom que vão revelar até quinta-feira suas novidades para a temporada 2019.

Huawei, Samsung, LG, Qualcomm e diversas operadoras estão lançando celulares e novas tecnologias que vão permitir maior velocidade na hora da conexão móvel, lista que inclui ainda objetos conectados e soluções para a indústria automotiva.

Quem chegará junto com o 5G disposto a roubar a cena serão os smartphones com telas dobráveis, que vão inaugurar nova categoria no mercado de celulares.

Porém, enquanto esses novos modelos não chegam ao mercado, os fabricantes aproveitam a temporada para ampliar os investimentos em processadores com inteligência artificial e no aprimoramento de comando de voz e reconhecimento de imagens através do aprendizado de máquina (o chamado machine learning) entre seus modelos mais básicos.

Assim, a ABI estima que o número de smartphones com inteligência artificial  passarão dos atuais 60 milhões de unidades ao redor do mundo para cerca de um bilhão de telefones já em 2022. David McQueen, diretor de pesquisa da consultoria, explicou que o destaque é o uso desses processadores "inteligentes" nas câmeras dos celulares, para permitir com maior facilidade a identificação de objetos e de reconhecimento facial. As tecnologias, destacou ele, permitem ainda melhor uso de comandos por voz e de gestos pelo celular.

“As empresas estão usando processadores específicos com inteligência artificial dedicados ao reconhecimento de imagens. Isto permite capturar com precisão a imagem e organizar os álbuns de fotos nos celulares, por exemplo.  E, como há um processador dedicado somente a isso, a bateria do celular é preservada, aumentando  seu tempo de uso”, afirmou McQueen.

De acordo com estudo da Huawei, que será divulgado no evento, a previsão é de que 90% dos usuários de celulares terão algum tipo de assistente pessoal, baseado em inteligência artificial, até a metade da próxima década.  A empresa acredita ainda que a economia digital de gerar cerca de US$ 23 trilhões até 2025 com a ajuda da inteligência artificial, da internet das coisas e da computação na nuvem.

“O desafio da indústria, sobretudo as empresas de telefonia, é buscar soluções para monetizar essas novas soluções. Há a realidade virtual e aumentada, que pode gerar negócios em games, eventos e transmissões de esportes. Hoje, se olharmos a inteligência artificial, as empresas estão estudando como ganhar dinheiro com isso” -- disse  Sandro Paiva,  diretor para Desenvolvimento de Negócios da Huawei Brasil.

Em um mundo cada vez mais digitalizado, as operadoras também vão anunciar -- prevê a ABI Research -- o lançamento de chips eletrônicos nos celulares, o e-sim, que serão ativados por um aplicativo.

Com isso, o usuário não vai mais precisar abrir o celular e colocar o chip dentro do smartphone para ativar sua linha. A novidade começou com a Apple no ano passado, quando lançou sua nova família de iPhones. No Brasil, a Claro já oferece a novidade, mas apenas para os relógios inteligentes da Apple.  

“Vamos ver os celulares trabalhando de forma autônoma. A ideia é que o aparelho consiga sentir a imagem e o som. E com isso vai agir sozinho e aprender de forma autônoma, permitindo a criação de novos serviços. A ideia é gerar novas receitas para as empresas”, destacou Geraldo Araujo, consultor sênior da Accenture.  (de O Globo)

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