Economia recua em março; fecha trimestre em baixa de 0,13%

Confirmando uma recuperação mais lenta e incerta do que a previamente estimado, o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) encerrou o primeiro trimestre com baixa de 0,13%, após registrar queda de 0,74% em março.

         Esta foi a primeira variação trimestral negativa desde o fim de 2016. Em fevereiro, o indicador tinha recuado 0,10%, dado revisado de alta de 0,09%. Em comparação com primeiro trimestre de 2017, houve expansão, de 0,86%.

         A retração de março ficou abaixo até mesmo do piso das estimativas de baixa de 0,6% a alta de 0,2%. A previsão média era de variação negativa de 0,2%. O comportamento do indicador no mês de março foi influenciado pela queda de 0,1% da produção industrial, alta de 0,3% do varejo e variação negativa de 0,2% dos serviços.

         Nos 12 meses encerrados em março, o índice do BC registrou avanço, de 1,05% na série sem ajuste. Devido às revisões constantes do indicador, o IBC-Br medido em 12 meses é mais estável do que a medição mensal, assim como o próprio Produto Interno Bruto (PIB).

         Perante março de 2017, o índice registrou queda de 0,66% na série sem ajuste. No ano, a variação é positiva, em 0,86%.

         Os dados de atividade mais fracos que o previsto neste começo de 2018 promoveram revisões para baixo nas estimativas de crescimento. A mediana do mercado, captada pela pesquisa semanal Focus, do BC, sugere expansão de 2,51%. No começo do mês de março, a previsão era de 2,92%.

         O Ministério da Fazenda projeta expansão de 3%, mas já anunciou que vai revisar o número. O BC tem estimativa de crescimento em 2,6% desde o fim de 2017.

         Na média móvel trimestral, indicador utilizado para captar tendência, o IBC-Br sem ajuste subiu 1,43% em março, vindo de retração de 1,23% um mês antes. Na série com ajuste, houve queda de 0,50% em março, primeira variação negativa desde março de 2017.

Metodologia. Embora seja anunciado como “PIB do BC”, o IBC-Br tem metodologia de cálculo distinta das contas nacionais calculadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em texto paralelo no Relatório de Inflação (RI), o BC explicou que IBC-Br e PIB são indicadores agregados de atividade econômica com trajetórias similares no médio prazo. Mas há características que os diferenciam tanto do ponto de vista conceitual quanto metodológico.

         O IBC-Br, de frequência mensal, permite acompanhamento mais tempestivo da evolução da atividade econômica, enquanto o PIB, de frequência trimestral, descreve quadro mais abrangente da economia.

         Além disso, o BC alerta que o processo de dessazonalização pode ampliar diferenças pontuais entre os dois indicadores, o que demanda cautela em comparações nos horizontes mais curtos. No entanto, essas diferenças tendem a se compensar ao longo do tempo, favorecendo as comparações em horizontes mais longos, como o anual. (do Valor Econômico)

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