Equipe econômica faz transição com assessores de candidatos

O próximo convidado para uma reunião com o ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, e com o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, deverá ser Paulo Guedes, o economista que assessora o candidato à sucessão presidencial, deputado Jair Bolsonaro.

         Ambos já tiveram uma conversa na quinta-feira, com o economista Pérsio Arida, que faz o plano de governo de Geraldo Alckmin, e na segunda feira com Mauro Benevides, da campanha de Ciro Gomes. Guedes deve se encontrar com Guardia e Ilan entre esta e a próxima semana. Ele, porém, já esteve com o secretário do Tesouro Nacional, Mansueto de Almeida.

         Aos assessores dos candidatos estão sendo apresentados os números da economia estimados para o fim do ano. Trata-se, portanto, do retrato das finanças públicas, das políticas de juros e câmbio e do regime de metas para a inflação que o vitorioso das urnas vai encontrar quando assumir o comando do país, em 1º de janeiro.

         Esta é uma maneira de fazer um encontro entre as promessas políticas da campanha eleitoral e a realidade econômica do país, sobretudo com a dramática situação das finanças públicas e a necessidade de reformas, principalmente a da Previdência.

         Está em curso, portanto, um processo de transição. Guardia e Ilan estão informando aos economistas o estado das receitas e despesas da União e o tamanho do déficit fiscal, de forma a, no mínimo, balizar o discurso e as promessas dos candidatos. Falam, também, das perspectivas de crescimento, da inflação e dos demais indicadores macroeconômicos.

         Guardia era o secretário do Tesouro Nacional em 2002, quando o governo de Fernando Henrique Cardoso fez a transição para o candidato eleito, Luiz Inácio Lula da Silva. Participou intensamente dos encontros e do fluxo de informações aos indicados pelo PT que viriam, mais adiante, assumir postos relevantes no governo de Lula.

         Não se sabe, até o momento, se essa iniciativa pode resultar em algo maior, como foi, por exemplo, a transição comandada por FHC em 2002. Naquela ocasião, o presidente da República conduziu as conversas diretamente com os candidatos, juntamente com a área econômica do governo, o então ministro da Fazenda, Pedro Malan e o presidente do BC, Armínio Fraga. A economia vivia um grave problema externo que demandou um acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), ao contrário de hoje, quando o mais grave é o endividamento interno e as contas fiscais fortemente deficitárias.

         No limite, porém, os dois problemas se equiparam: uma crise cambial pode levar a uma moratória externa e uma crise fiscal pode resultar em um calote da dívida interna.

         O ministro da Fazenda e o presidente do BC não quiseram comentar o conteúdo desses encontros, assim como os economistas procurados. A proposta é conversar com os assessores econômicos de todos os candidatos. (do Valor Econômico)

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