Greve, eleição e Argentina afetam recuperação, diz IBGE

A indústria brasileira perdeu ritmo de recuperação, que se tornou “bem moderada”, a partir da greve dos caminhoneiros em maio, seguida pela crise argentina e pelas incertezas eleitorais, que afetaram as decisões de investimentos e consumo, disse André Macedo, gerente da Coordenação de Indústria do IBGE.

        Conforme dados divulgados nesta terça-feira, a produção da indústria apresentou crescimento de 0,2% entre setembro e outubro, pela série com ajuste sazonal. O resultado veio no piso das expectativas e ficou bem abaixo da média do mercado, de alta de 1,2% no período.

A fraca leitura chamou atenção também porque ocorre após uma sequência de três meses consecutivos de taxas negativas. Ou seja, o setor cresce pouco sobre uma base de comparação já baixa. A produção recuou em julho (-0,2%), agosto (-0,7%) e setembro (-1,8%).

O primeiro impacto sobre o ritmo de recuperação do setor ocorreu em maio, quando tombou 11% com a greve dos caminhoneiros. No mês seguinte, o setor avançou 12,7%, mas já num ambiente maior de incertezas. 

“Depois, temos o ambiente pré-eleitoral, que afeta a decisão de investimento por parte dos empresários. Pesquisas que mensuram o nível de confiança dos empreendedores da indústria mostra a menor propensão de realizar investimentos”, disse o gerente do IBGE.

Por fim, Macedo diz que a crise na Argentina afetou os embarques de veículos, uma das atividades com maior peso na pesquisa do IBGE. Apesar de ter crescido 3% em outubro, a produção das montadoras havia apresentado queda de 6,6% no mês anterior.

“Perdemos um canal importante para exportação desses automóveis”, observa. (do Valor Econômico)

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