Itaú amplia lucro mesmo com expansão ainda lenta do crédito

O Itaú Unibanco apurou lucro líquido recorrente de R$ 6,478 bilhões no quarto trimestre de 2018, resultado 3,1% superior ao obtido no mesmo período do ano anterior.

O número veio abaixo do esperado pelo mercado. Média das projeções de analistas consultados pelo Valor Econômico indicava ganho de R$ 6,645 bilhões para o maior banco privado do país.

Em todo o ano passado, o lucro foi de R$ 25,733 bilhões, o que representa alta de 3,4%.

O Itaú mostrou, nos últimos meses de 2018, um desempenho no crédito um pouco mais lento que o dos concorrentes Bradesco e Santander. Porém, o banco parte de uma base de comparação maior.

A instituição se manteve a mais rentável entre os pares, com retorno ajustado sobre o patrimônio líquido de 21,8% no trimestre e de 21,9% no ano.

O Itaú fechou dezembro com R$ 696,934 bilhões em sua carteira de crédito expandida, que inclui empréstimos e financiamentos, avais, fianças e títulos corporativos. O saldo aumentou apenas 0,1% em relação a setembro, mas cresceu 6,1% num intervalo de 12 meses.

O banco cresceu nas operações com pessoas físicas, micro, pequenas e médias empresas, mas continuou em território negativo na carteira de grandes companhias.

O maior volume de crédito e uma mudança na composição da carteira -- com maior foco no varejo -- ajudaram o Itaú a compensar a queda nos spreads. Com isso, a margem financeira cresceu 2,6% em relação a igual período de 2017, para R$ 17,382 bilhões. A melhora nas operações de crédito compensou uma queda de 20,1% no produto das operações com o mercado, que reflete o resultado da tesouraria e do gerenciamento de ativos e passivos do próprio banco.

O custo do crédito melhorou de forma significativa em relação ao quarto trimestre do ano passado. O indicador que reflete as despesas com provisões para devedores duvidosos e impairment (baixa contábil) de ativos financeiros somou R$ 3,415 bilhões nos meses de outubro a dezembro, queda de 19,8% nessa base de comparação.

Quando comparado com o terceiro trimestre deste ano, porém, o custo do crédito aumentou 4,7%, o que foi influenciado pela baixa contábil de R$ 269 milhões em títulos de dívida de grandes empresas.

O índice de inadimplência total do Itaú ficou em 2,9% em dezembro, estável quando comparado ao de setembro. Houve recuo de 0,2 ponto percentual na comparação com o fim de 2017.

A receita com prestação de serviços somou R$ 9,192 bilhões no quarto trimestre, alta de 4,8%. No entanto, o resultado de operações de seguros antes de despesas com sinistros e comercialização recuou 10,6%, para R$ 1,897 bilhão.

As despesas não decorrentes de juros cresceram apenas 0,9%, para R$ 12,793 bilhões. No ano como um todo, esse indicador aumentou 5%, para R$ 49,376 bilhões.

O Itaú informou esperar um crescimento de 8% a 11% em sua carteira de crédito total em 2019 -- o que indica uma visão bem mais otimista para este ano. As metas do banco também embutem uma melhora relevante na margem financeira com clientes, para a qual o crescimento esperado neste ano é de 9,5% a 12,5. (do Valor Econômico)

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