Moro aceita convite para ser ministro de Bolsonaro

 O juiz federal Sergio Moro aceitou o convite feito pelo presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) para ocupar o Ministério da Justiça. A proposta aceita foi de um ministério ampliado, com a incorporação de outras pastas. 

Em breve nota, divulgada após se reunir com Bolsonaro no Rio nesta quinta-feira, o juiz diz que aceitou "honrado o convite". "Fiz com certo pesar pois terei que abandonar 22 anos de magistratura", observou.

"Fui convidado pelo Sr. Presidente eleito para ser nomeado Ministro da Justiça e da Segurança Pública na próxima gestão. Após reunião pessoal na qual foram discutidas políticas para a pasta, aceitei o honrado convite”.

Continuou: “Fiz com certo pesar pois terei que abandonar 22 anos de magistratura. No entanto, a perspectiva de implementar uma forte agenda anticorrupção e anticrime organizado, com respeito à Constituição, à lei e aos direitos, levaram-me a tomar esta decisão. Na prática, significa consolidar os avanços contra o crime e a corrupção dos últimos anos e afastar riscos de retrocessos por um bem maior", disse na nota.

Moro acrescenta que a "Operação Lava Jato seguirá em Curitiba com os valorosos juízes locais". "De todo modo, para evitar controvérsias desnecessárias, devo desde logo afastar-me de novas audiências. Na próxima semana, concederei entrevista coletiva com maiores detalhes", finalizou.

Pelo Twitter, Bolsonaro confirmou que o juiz aceitou o convite para o Ministério da Justiça e Segurança Pública, destacando que a agenda anticorrupção e anticrime organizado, bem como o respeito à Constituição e às leis, serão o norte do novo governo.

Durante seu voo para o Rio de Janeiro, Moro havia indicado que aceitaria a proposta. Ele defendeu que o país precisa de uma agenda anticorrupção e anticrime organizado, conforme declarações à TV Globo. "Se houver a possibilidade de uma implementação dessa agenda, convergência de ideias, como isso ser feito, então há uma possibilidade. Mas como disse, é tudo muito prematuro", declarou Moro à reportagem da TV Globo.

Responsável pela Operação Lava-Jato, o juiz foi convidado ainda durante a campanha eleitoral, pelo economista Paulo Guedes, futuro ministro da Economia.

Na campanha eleitoral, Moro tirou o sigilo de parte da delação do ex-ministro Antonio Palocci que cita o ex-presidente petista Luiz Inácio Lula da Silva, a menos de uma semana do primeiro turno eleitoral. A divulgação da delação atingiu a campanha do então candidato Fernando Haddad (PT), adversário de Bolsonaro. (do Valor Econômico)

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