Na Copa da Rússia, bancos chutaram todas as bolas fora

Depois de ter errado feio em seu prognóstico sobre o vencedor da Copa do Mundo na Rússia, o banco suíço UBS diz que os investidores têm muito a aprender com os resultados do futebol no mundo real.

            Com base em seus métodos econométricos normalmente aplicados para avaliar oportunidades de investimentos, o banco cravou antes da bola rolar que a Alemanha, Espanha e Brasil, pela ordem, eram os favoritos para ganhar a Copa.

            Mark Haefele, executivo-chefe de investimentos do UBS Global Wealth Management, argumentou na ocasião que as mesmas disciplinas quantitativas que ele aplica para investimentos poderiam ser úteis em eventos esportivos.

            Mas, a realidade dos jogos desmontou a teoria do banco suíço. A Alemanha não passou da primeira fase, a Espanha caiu nas oitavas de final e o Brasil foi eliminado nas quartas de final.

            Sobre os agora finalistas, o banco dava apenas 0,2% de chance para a Croácia ganhar a Copa (22ª entre as 32 seleções) e, para Inglaterra, 8,5% de possibilidade (quarto favorito).

            Questionado pelo Valor Econômico, o UBS argumentou que seu modelo acertou pelo menos dois terços dos jogos, mas que desempenho passado “obviamente não garante resultado futuro”.

            No rastro do desmoronamento das projeções, Michael Bolliger, chefe de alocação de ativos em mercados emergentes, e principal autor do estudo, tratou de ver pelo menos “importantes lições” para investidores: estar seguro de não confundir probabilidades com certezas, e que tudo em investimento é sempre provável ou possível e nunca certo. “Mesmo o melhor investimento pode ter um fraco desempenho”, diz ele.

            Felizmente, escreve Bolliger, através da diversificação os investidores podem minimizar o risco de verem todo o portfólio de seus investimentos sofrer desempenho ruim ao mesmo tempo. Considera que isso é um dos fundamentos de investimento bem sucedido no longo prazo.

            Já no futebol, acrescenta o economista, os torcedores evidentemente rejeitam diversificação.

            Outros bancos também erraram feio nas previsões. A equipe de pesquisa macroeconômica do Goldman Sachs optou por usar algoritmos de inteligência artificial em suas análises, concluindo que o Brasil seria o campeão mundial.

            O banco holandês ING usou o valor de mercado das seleções e seus desempenhos anteriores, e também passou longe da trave ao apostar na vitória da Espanha.

            O banco japonês Nomura apostou que a seleção japonesa teria um desempenho fraco — e não foi realmente o que ocorreu. E também chutou fora da área com sua projeção de final entre a França e a Espanha. (do Valor Econômico)

 

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