Perfil do brasileiro favorece o trabalho no varejo em Portugal

Com mais de 80 mil de brasileiros espalhados pelas ruas, shoppings e galerias comerciais de Portugal, as lojas têm dado preferência ao trabalhador de além-mar, seja ele recém-chegado ou já estabelecido no país.

         Além da experiência acumulada em um mercado grande como o do Brasil, os responsáveis pela contratação nas empresas de varejo encontram no brasileiro um perfil adequado para o trabalho: jovem, com boa escolaridade, às vezes fluente em mais de um idioma e capaz de atender ao enorme fluxo de turistas de todo o mundo.

         Um supervisor de comércio em Lisboa recebe em média um salário de € 2 mil, cerca de R$ 8,6 mil. Para os vendedores fulltime, como são chamados os trabalhadores em tempo integral, o salário inicial é de € 700, acima do mínimo nacional, de € 580, e com chance de aumentar os vencimentos devido aos bônus por metas batidas, comissões de venda e subsídio de alimentação.

         É uma função que não requer muita qualificação acadêmica. Não há ajuda para transporte, mas, dependendo do cargo, a empresa pode disponibilizar um carro para deslocamento.

         Há quem se candidate para desempenhar uma função partime, de meio expediente e livre aos fins de semana, e acumule com um outro trabalho para complementar a renda. Para cargos de chefia, a média salarial é maior.

         Além da possibilidade de trabalhar como vendedor, onde existe a maior oferta, o mercado de trabalho no setor do comércio é amplo e pode abranger, ainda, funções relacionadas ao marketing, como visual merchandiser, profissão bastante requisitada pelas empresas portuguesas, que têm investido em brasileiros e brasileiras para atuarem em uma área que paga salário médio de € 886, mas prioriza candidatos com formação em moda.

         “O perfil do brasileiro pode ajudar na hora da contratação porque tem mais tino comercial”, diz Tiago Rodrigues, um brasileiro que está há quase dois anos em Portugal e é o responsável pela área de gestão de processos de profissionais qualificados de uma consultoria. “O brasileiro tem mais visão do comércio. Um empresário põe uma meta para ele para aumentar as suas vendas e ele vende dez vezes mais que os outros”.

         No entanto, Rodrigues alerta para uma "armadilha" que os candidatos a uma vaga no mercado de marketing/varejo podem enfrentar.

         “É preciso ter atenção, porque as vagas de emprego realmente existem, mas os títulos que são dados aos anúncios não correspondem exatamente ao trabalho. Por exemplo, "Gestor comercial". Na verdade, pode ser uma vaga de vendedor de porta em porta” - explicou. (de O Globo)
Comentários
Sem comentários ainda. Seja o primeiro.