Trump e Kim criam compromisso em relação à desnuclearização

Em condições ainda vagas e com compromissos que ficaram de fora do papel, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o ditador norte-coreano, Kim Jong-un, assinaram nesta terça-feira em Cingapura um acordo que prevê a desnuclearização da Península Coreana, no qual os dois países se comprometem à "paz e prosperidade" na região.

         O documento repete o compromisso de dar fim às armas nucleares, feito pelo norte-coreano no final de abril, em uma reunião com a Coreia do Sul, e não estabelece, por ora, passos concretos rumo à desnuclearização.

         Um dos principais itens do combinado entre Kim e Trump, a destruição de um local de testes de mísseis nucleares, foi obtido após a assinatura final, segundo o americano -- e ficou de fora do documento divulgado pelos dois países.

         As sanções econômicas contra a Coreia do Norte permanecem inalteradas, até que sejam adotados passos concretos rumo à desnuclearização, de acordo com o americano. E o esperado término oficial da Guerra da Coreia, que divide a península coreana há quase 70 anos, não foi anunciado desta vez.

         Trump afirmou que o momento era "histórico" e que inaugura "um novo capítulo na história nas nações", mas reconheceu que é o início de um processo e disse que "não há como garantir tudo".

         "Eu apenas sinto, muito fortemente, que eles querem fazer um acordo", declarou o presidente, durante uma longa entrevista à imprensa em Cingapura. "É isso que eu faço. Minha vida toda foi de negociação. Isso é o meu negócio."

         Em troca do compromisso de desnuclearização, os EUA se comprometeram a interromper os exercícios militares aéreos conjuntos com a Coreia do Sul, na fronteira dos países, que desagradaram o norte-coreano durante as negociações para a cúpula desta terça e quase ruíram o encontro.

         "Em primeiro lugar, é tremendamente caro. E segundo, é uma situação muito provocadora", afirmou Trump. "Diante das circunstâncias de que estamos negociando um acordo bastante abrangente, [abandonar os exercícios militares] é algo que eles [Coreia do Norte] apreciaram bastante."

         Ao ser perguntado se havia interpelado o ditador, que sufoca a oposição ao regime e detém centenas de presos políticos em campos forçados, Trump disse que falou, sim, do assunto -- mas de forma "muito breve" em comparação ao tema das armas nucleares, principal foco do encontro.

         Em um clima ineditamente amistoso com a imprensa no local, Trump não quis responder, porém, a um jornalista que o questionou, de forma incisiva, se o encontro dava legitimidade a um regime ditatorial que oprime e retira direitos da população. "Eu acabei de responder", desconversou o americano.

         Ainda não se sabe quanto tempo levará a desnuclearização prometida por Kim.

         O americano reconheceu que é preciso um grande esforço para desmobilizar um arsenal como o norte-coreano, e que há impeditivos "científicos e mecânicos" para que isso seja feita de forma rápida.

         Os EUA farão verificações do compromisso da desnuclearização in loco, com uma equipe de observadores americanos e internacionais.

         Uma próxima reunião entre as delegações dos dois países será agendada na semana que vem. Na ocasião, serão estabelecidos os passos concretos para o compromisso atingido nesta terça.

         Trump não descartou a possibilidade de viajar a Pyongyang em breve -- tampouco a de convidar Kim para uma visita à Casa Branca. (do Valor Econômico)

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